segunda-feira, 20 de maio de 2013

Tanta é a vontade


 Sinto vontade
Vontade de te dar os meus olhos
Vontade de te voltar a ver sorrir
Tanta é a vontade de te mostrar o que faço…
Sinto falta da tua crítica
Tenho vontade que me vejas
Tanta é a vontade que me olhes e digas
“Oh Sara vai-te pentear”.
Eras a minha maior crítica
Aquela que mais me apoiava
Eras tu,
Aquela que sabia todos os meus trabalhos.
Tenho vontade de te ver como eras
Tenho vontade que me vejas como sou agora
Passou pouco tempo
E eu ainda me esqueço que não vês.
Os teus olhos sempre fechados,
Escondem os teus maiores segredos
Só te consigo ler pelos lábios agora…
Onde está o mar que coloria os teus olhos?
Tenho vontade,
Tenho sede do teu azul…
Lembro-me do primeiro dia
O primeiro dia em que viste a minha primeira fotografia
O teu orgulho com a minha descoberta…
Para ti sou morena,
Maquilhagem pesada,
Cabelo encadeado…
Hoje sou ruiva,
Já fui loira,
Usei branco nos olhos,
Agora volto ao preto só que de leve,
O cabelo está comprido
Já vai a meio das costas…
Hoje as tuas mãos são os teus olhos,
E a vida?
A vida das cores?
Será que tu sentes?
Hoje vives noutro mundo,
Um mundo que fica tão longe do meu…
Um mundo onde não consigo entrar…
Queria entender esse teu mundo,
Um mundo que é preto,
Não há luz,
Não tem forma…
Caminhar num vazio…
Tenho vontade…
Tenho vontade de ti minha mãe! 

2 comentários:

  1. É um poema lindíssimo, Sara. Simples, sem rodeios. Tal como deve ser a poesia, na minha opinião. Honesta, simples. Um conjunto de palavras que vêm do coração e que são capazes de tocar outros corações.
    E foi isso mesmo que fizeste com este poema. Parabéns, Sara. Continua a ser forte e fantástica. Sei que a tua mãe se orgulha infinitamente de ti.

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    1. Muito obrigada, é optimo ter este apoio! escrevo unicamente o que sinto, não nem sequer forçado, é puro

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